22 de jun de 2013

[Poesia] OLAVO BILAC – O vale



  
[ PEDRO LUSO DE CARVALHO ]


OLAVO BILAC, cujo registro civil consta o nome de Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, nascido a 16 de dezembro de 1865, no Rio de Janeiro. O poeta faleceu no Rio de Janeiro, a 18 de dezembro de 1918.

Olavo Bilac estudou Direito em São Paulo e Medicina no Rio de Janeiro, cursos que não foram concluídos. A animada vida de imprensa, nos primeiros anos da República, atraiu-o para o jornalismo. Foi professor de pedagogia e inspetor escolar do Distrito Federal. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, conferencista e, sobretudo, poeta. Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira, faz parte da famosa  trindade dos grandes parnasianos. No seu último livro, Tarde, adquiriu, como disse Álvaro Lins, “uma serenidade, uma altitude de imaginação e pensamento  que ainda mais lhe valoriza a obra.

Bilac escreveu: Poesias, 1888; Crônica e novelas, 1894; Crítica e fantasia, 1904; Conferências literárias, 1912; Ironia e piedade, 1916; Tarde, 1919; Últimas conferências e discursos, 1924; etc. – Escreveu diversos livros em colaboração com Coelho Neto, com Guimarães Passos e com Manuel Bonfim.

Segue o poema O vale, de Olavo Bilac  (in Tarde, Rio de Janeiro, 1919, p. 36-37):



[ESPAÇO DA POESIA]


O VALE
 ( Olavo Bilac )



Sou como um vale, numa tarde fria.
Quando as almas dos sinos, de uma em uma,
No soluço adeus da ave-maria
Expiram longamente pela bruma.

É pobre a minha messe. É névoa e espuma
Toda a glória e o trabalho em que eu ardia...
Mas a resignação doura e perfuma
A tristeza do termo do meu dia.

Adormecendo, no meu sonho incerto
Tenho a ilusão do prêmio que ambiciono:
Cai o céu sobre mim em pirilampos...

E num recolhimento a Deus oferto
O cansado labor e o inquieto sono
Das minhas povoações e dos meus campos.




*  *



REFERÊNCIA:
LINS, Álvaro. BUARQUE DE HOLLANDA, Aurélio . Roteiro Literário de Portugal e do Brasil, vol. II. 2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966, p. 288, 296.



*  *  *


Nenhum comentário: