6 de mar de 2013

[Poesia] JORGE DE LIMA - Tarde Oculta no Tempo


                [PEDRO LUSO DE CARVALHO]


        JORGE DE LIMA (Jorge Matheus de Lima) nasceu em União dos Palmares, Alagoas, em 23 de abril de 1893. Tornou-se conhecido pelo nome de Jorge de Lima. Foi médico, professor, político (deputado estadual em Alagoas e vereador no Rio de Janeiro), pintor romancista e poeta – na poesia foi onde melhor expressou o seu gosto pelas Letras. Iniciou a Faculdade de Medicina na Bahia e formou-se no Rio de Janeiro, aos vinte anos. Tornou-se professor de História Natural e Higiene Escolar, mediante concurso público, na Escola Normal de Maceió. Ainda, por concurso público, passou a lecionar História da Literatura Brasileira e Portuguesa no então Liceu Alagoano. Em 1931 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a lecionar Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil.

        O primeiro livro de Jorge de Lima foi XIV Alexandrinos, editado em 1914. Escreveu o seu primeiro romance, O Anjo, em 1934, com o qual recebeu o Prêmio da Fundação Graça Aranha. Em 1940, recebeu o Prêmio da Academia de Brasileira Letras pelo seu livro A Túnica Inconsútil – o Grande Prêmio de Poesia. O poeta Parnasiano dos primeiros tempos tornou-se famoso com o soneto O Acendedor de Lampiões. Mas, como diz Alvaro Lins, somente a partir de 1927 sua poesia passa a ter importância com o livro de Poemas, com inspiração fortemente regional, nordestina, como Essa Negra Fulô e Banguê. Com a edição do livro Tempo e Eternidade Jorge de Lima adquire uma feição mística, tendo como co-autor Murilo Mendes. O ápice dessa fase deu-se com A Túnica Inconsútil , e nos poemas de Anunciação e Encontro de Mira-Celi, que foram incorporados à Obra Poética, e que, assume o tom épico em Invenção do Orfeu.

        Obras de Jorge de Lima: XIV Alexandrinos (1914), A Comédia dos Erros (1924), Salomão e as Mulheres (1926), Poemas (1927), Essa Negra Fulô (1928), Novos Poemas (1929), Anchieta (1934), Calunga (1935), Tempo e Eternidade - em colaboração com Murilo Mendes (1935), A Túnica Inconsútil (1938), A Mulher Obscura (1939), Vida de São francisco de Assis  para Crianças (1942), Poemas Negros (1947), Livro de Sonetos (1949), Guerra dentro do Beco (1950); Invenção do Orfeu (1952), etc.

        Segue o poema Tarde Oculta no Tempo, que integra o livro Os Melhores Poemas de Jorge de Lima


                            [ESPAÇO DA POESIA]

                      
                     TARDE OCULTA NO TEMPO
                                             [JORGE DE LIMA]


       O andarilho sem destino reparou então
        que seus sapatos tinham a poeira indiferente
        de todas as pátrias pitorescas;
        e que seus olhos conservavam as noites e os dias
        dos climas mais vários do universo;
        e que suas mãos se agitaram em adeuses
        a milhares de cais sem saudades e amigos;
        e que todo o seu corpo tinha conhecido
        as mil mulheres que Salomão deixou.
        E o andarilho sem destino viu
        que não conhecia a Tarde que está oculta no tempo
        sem paisagens terrenas, sem turismos, sem povos,
        mas com a vastidão infinita onde os horizontes
        são as nuvens que fogem.

                                                     *  *




REFERÊNCIAS:
LINS, Álvaro. BUARQUE DE HOLLANDA, Aurélio. Roteiro Literário de Portugual e do Brasil. Vol. II. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966, p. 429.
LIMA, Jorge de. Os melhores poemas de Jorge de Lima. Seleção de Gilberto Mendonça Teles. 2ª ed. São Paulo: Global Editora, 2001, p.62.



                                                     *  *  *


2 comentários:

Lourdinha Vilela disse...

Quase sempre, o tudo que temos não representa o mínimo que queremos.
LINDO POEMA.
Bom fim de semana.

Pedro Luso disse...

É verdade, Lourdinha, quase nunca achamos que temos o suficiente.

Obrigado pela visita.
Abraços.