16 de ago de 2012

[Poesia] FERNANDO PESSOA / Qualquer Música...



           por  Pedro Luso de Carvalho


        FERNANDO PESSOA nasceu Lisboa, a 13 de junho de 1888. Em 1894 morreu seu irmão mais novo, Jorge, com um ano de idade. Seu pai faleceu antes que tivesse completado seis anos. Em 1896 parte para a África, com a mãe, que se casara de novo. Seu padrasto, João Miguel Rosa, era cônsul de Portugal em Durban, África do Sul. Aí cursou o primário numa escola de freiras irlandesas; o secundário na Durban High School. Em 1904, foi aprovado nos exames de ingresso no Curso de Artes, na Cape Univerty, que não iria cursar. Em 1905 regressou sozinho a Lisboa.

        Na África, onde permaneu por dez anos, aprendeu inglês e também adquiriu a base de sua cultura literária. Nesse país, conheceu Milton, Shelley, Shakespeare, Tennyson, Pope e outros, e escreveu os seus primeiros poemas.         

        No seu retorno a Portugal, redescobre sua cultura e literatura: Cesário Verde, Antonio Nobre, Antero de Quental, Camilo Pessanha. Matricula-se no Colégio Superior de Letras, em Lisboa, que abandona em seguida. Após o fracasso comercial de sua “Empresa Íbis – Tipografia e Editora”, experiência em que mais tarde reincidirá, emprega-se como correspondente de firmas estrangeiras sediadas em Lisboa, atividade modesta, que lhe garantirá o sustento até o fim de sua vida. (Fernando Pessoa morreu em Lisboa, em 30 de novembro de 1935).
        
        Segue o poema de Fernando Pessoa, intitulado Qualquer música... (In Poesia, 1918-1930. Fernando Pessoa. São Paulo: Companhia Das Letras, 2007, p. 185):


                                [ESPAÇO DA POESIA]


                                QUALQUER MÚSICA...
                                            (Fernando Pessoa)



                      Qualquer música, ah, qualquer,
                      Logo que me tire da alma
                      Esta incerteza que quer
                      Qualquer impossível calma!


                      Qualquer música - guitarra,
                      Viola, harmónio, realejo...
                      Um canto que se desgarra...
                      Um sonho em que nada vejo...


                      Qualquer coisa, que não vida!
                      Jota, fado, a confusão
                      Da última dança vivida...
                      ... Que eu não sinta o coração!


                                                *
                                                             9-10-1927


                                           *  *  *


4 comentários:

Rita Freitas disse...

Fernando Pessoa continua a ser único.
Obrigado por partilhar este poema tão bonito.

Bjs

Simonha disse...

Agradeço sua visita ao meu blog e por seguir.
Vim retribuir e conhecer seu espaço. Parabéns, pois é um blog cheio de encantos e muita cultura.

Visite também meu outro blog:
http://www.educacaoinfantilnaescola.blogspot.com.br/

Adriana Dezerto disse...

AMO TUDO ISSO!É UM PRAZER PARTICIPAR.SEU BLOG É ENCANTADOR.BEIJO NO ♥!

Pedro Luso disse...

Para:

RITA FREITAS,

SIMONINHA,

ADRIANA DEZERTO,

o meu agradecimento por suas visitas e pelos seus comentários.

Abraços,
Pedro.