14 de mai de 2012

[Poesia] FLORBELA ESPANCA - As Minhas Mãos

               
                               
             por Pedro Luso de Carvalho
      
    Florbela Espanca nasceu na Vila Viçosa, em Portugal, a 8 de Dezembro de 1894. Na morte da poetisa Florbela Lôbo de Alma Espanca - esse era o seu nome de registro civil -, em 1930, um fato que não pode ser tido como coincidência, no tocante ao dia e ao mês de seu nascimento, 8 de dezembro, por ter sido suicídio a causa mortis da poetisa. Florbela Espanca morreu em Matozinhos, ainda muito jovem, no dia em que completou 36 anos.

         Obras de Florbela Espanca: Livro de Mágoas, 1919; Livro de Sóror Saudade, 1923; Charneca em flor, 1931; Juvenília, 1931; As Máscaras do Destino, 1931; Cartas, 1931; Sonetos Completos, 1934.

      Segue o poema As Minhas Mãos, extraído do livro Sonetos Completos, 7ª ed. Livraria Gonçalves, Coimbra, 1946, pág. 109:


                               [ESPAÇO DA POESIA]

                                 AS MINHAS MÃOS
                                                                                   (Florbela Espanca)



                          As minhas mãos magritas, afiladas,
                          Tão brancas como a água da nascente,
                          Lembram pálidas rosas entornadas
                          Dum regaço de Infanta do Oriente.


                          Mãos de ninfa, de fada, de vivente,
                          Pobrezinhas em sedas enroladas,
                          Virgens mortas em luz amortalhadas
                          Pelas próprias mãos de oiro do sol-poente.


                          Magras e brancas... Foram assim feitas...
                          Mãos de enjeitada porque tu me enjeitas...
                          Tão doces que elas são... Tão a meu gosto!


                          Pra que as quero eu – Deus! - Pra que as quero eu?!
                          Ó minhas mãos, aonde está o céu?
                          ... Aonde estão as linhas do teu rosto?



                                                *  *  *  


7 comentários:

Amapola disse...

Boa noite, querido amigo.

Ela era linda, e morreu muito jovem mesmo.
Na escrita ela mostrava seu lado depressivo.

Acho que naquela época, a solidão fazia muito mais vítimas. Inclusive aos poetas.

Tenha um lindo fim de semana.

Beijos.

OceanoAzul.Sonhos disse...

Florbela Espanca, a minha poetisa de eleição, adorei o filme sobre a vida dela, adoro a sua poesia, os seus estados de alma intensos... os meus avós maternos eram de Vila Viçosa, bem como a minha mãe, sempre ouvi falar dela desde muito cedo, depois comecei a lê-la e devo dizer que passo imenso do meu tempo com os seus livros e palavras. Obrigada por esta partilha!
Abraço
Cecília VB

Lourdinha Vilela disse...

Maravilhosa Florbela Espanca. Este poema me fez lembrar de um outro. "Poetas".
Com sensibilidade descreve e ou transmite-nos a sua própria alma. Provavelmente você o conheça também.
Tenha uma ótima semana.
Lú Vilela.

Pedro Luso disse...

Vim para agradecer a presença e os comentários da Maria Aparecida (Amapola), da Cecília VB (OceanoAzul.Sonhos) e da Lú (Loudinha Vilela), e para desejar a todas um bom fim de semana.

Abraços,
Pedro.

Soledad del Sol disse...

Encantada, adoré sus letras, gracias, un abrazo.

Soledad del Sol disse...

Hermoso en verdad, adoré sus letras, un abrazo y gracias.

Pedro Luso disse...

Obrigado, Soledad, por sua visita.

Espero que volte mais vezes.

Abraços,
Pedro.